Dia Mundial do Meio Ambiente e Dia da Ecologia



“Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensina-lo a amar o seu semelhante” (Albert Schweitzer).

No dia 5 de junho celebramos o dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia. Neste contexto, quero trazer uma pequena reflexão que nos leva a tomar consciência do momento em que estamos vivenciando.

Durante este mês de junho, escutaremos e participaremos de ações voltadas para as questões ambientais, até porque, este tema é atual e fundamental para todos nós: a questão do meio ambiente, da sustentabilidade e do cuidado com a Mãe Terra, nossa casa comum. Como franciscanos, que um dia abraçamos uma vocação do cuidado e nos enamoramos pela vida franciscana, o cuidado com a criação é um dos pilares da espiritualidade de São Francisco de Assis. Ele, que é o Patrono da Ecologia, o arauto da delicadeza e do cuidado com tudo o que está a sua volta. Jamais nos esqueçamos disso! Quando perdemos de vista este modo de vida deixado por Francisco de Assis, perdemos um dos pilares da nossa razão de sermos Frades Menores.

Queremos nesse mês de junho voltar nosso olhar para este grande cosmos, que chamamos de Planeta Terra e com o qual estamos todos interligados. Se nós fazemos parte do planeta, somos chamados e convidados a cuidar desta grande casa que nos acolhe gratuitamente. Ou melhor, como diz Leonardo Boff, talvez um dos maiores pensadores sobre a questão ambiental e ecológica em nosso tempo: “Nós somos este Planeta Terra, esta Gaia que a todos acolhe. Somos o nosso Planeta e o Planeta é cada um de nós”.

Por outro lado, também nós organizamos muitas atividades e ações que perpassam pelo CUIDADO. Nós não temos como falar da questão ecológica e ambiental em nossos dias, e mesmo da questão de sustentabilidade, sem considerarmos uma ética fundamental do cuidado.

Permitam-me contar uma rápida fábula, de Higino, um antigo filósofo:

Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco de barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.

Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado. Quando, porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome. Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela dar um nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.

De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa:

“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito: receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte da criatura. Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando esta criatura morrer. Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver. E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra Fértil.”

Como podemos perceber, o cuidado é, a priori, ontológico; aquilo que deve existir antes, para que possa surgir o ser humano. O cuidado, portanto, está na raiz fontal da constituição do ser humano, sem ele, o humano não existiria. E estamos testemunhando que quando o homem perde a referência do Cuidado para consigo mesmo e para com tudo a sua volta, o cosmos passa a ser caos; a harmonia de todas as coisas é desfeita.

Sendo assim, o cuidado é aquela condição prévia que permite o eclodir da inteligência e da amorosidade. É o orientador antecipado de todo comportamento para que o homem seja livre e responsável, enfim, tipicamente humano. Esta atitude precisamos resgatar hoje, como ética mínima e universal, se quisermos preservar a herança que recebemos do universo e da cultura e garantir nosso futuro comum. E isto, meus estimados confrades, não estou falando somente de modo amplo e macro-ecológico. Dirijo estas palavras não de forma localizada. Esta reflexão precisa necessariamente começar por nossa região, onde cada um de nós estamos inseridos. A arrumação de uma casa não pode começar pelo enfeite do jardim. Precisa começar pela limpeza dos cômodos. A mudança e a quebra do paradigma de violência, do uso irresponsável e sem limites dos bens da Terra e, do Capitalismo que gera morte e divisão, só iniciará concretamente quando cada um de nós tomarmos para si o Cuidado da Casa Comum, a Mãe Terra.

Como comecei dizendo, não podemos perder de vista o exemplo e o legado de Francisco de Assis, o homem por excelência do Cuidado com as criaturas. Francisco é a síntese de tudo o que disse até aqui. A proposta de cosmovisão franciscana é justamente uma visão contrária ao sistema de exploração capitalista herdada desde o advento da tecnologia e da Revolução Industrial. A produção em série não se restringiu somente às máquinas, peças, coisas e objetos em geral. Atingiu, tristemente, as relações humanas, a sociedade e os governos. E alimentar este dragão custou e custa caro. Custa vidas, custa a natureza, custa a destruição cosmos.

E nós, que postura precisamos assumir diante desta realidade dada? Vejo que nossas respostas vêm de um olhar amoroso para a terra. Um reconhecimento que somos parte, e não meros dominadores e exploradores, do sistema ecológico.

Finalmente, o amor com o qual Francisco de Assis amou todo o universo foi o amor materno que gera no mundo o espírito e a convicção de que o homem pertence à única fraternidade universal, criada e amada por Deus. No exemplo da maternidade podemos encontrar uma resposta segura que nos indicará um caminho sustentável e responsável a ser feito. Uma mãe gera, ama e cuida. Geremos, amemos e cuidemos de nossa Terra. Até porque ecologia é agir em busca de uma relação fraterna com a natureza.

Frei Wilson Batista Simão, OFM
JPIC

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=86773
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Jéssica Pires