Defender a Mãe Terra



São Francisco de Assis manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenho na sociedade e a paz interior.

Hoje, não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o grito da terra como o grito dos pobres.

Quando falamos de “meio ambiente”, fazemos referência também a uma particular relação: a relação entre a natureza e a sociedade que a habita. Isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramo-nos. As razões, pelas quais um lugar se contamina, exigem uma análise do funcionamento da sociedade, da sua economia, do seu comportamento, das suas maneiras de entender a realidade. Dada a amplitude das mudanças, já não é possível encontrar uma resposta específica e independente para cada parte do problema. É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais.

Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio ambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza.

A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afecta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo.

É trágico o aumento de migrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental, que, não sendo reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais, carregam o peso da sua vida abandonada sem qualquer tutela normativa. Infelizmente, verifica-se uma indiferença geral perante estas tragédias, que estão acontecendo agora mesmo em diferentes partes do mundo.

A nossa Casa Comum está sendo saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Não se pode permitir que certos interesses (que são globais, mas não universais) se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais, e continuem a destruir a criação. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir (pacífica, mas tenazmente) a adoção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendam a Mãe Terra. (Papa Francisco - Discurso aos Movimentos Populares, Bolívia, 2015).

EXPOSIÇÃO ITINERANTE LAUDATO SI: SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM

A difusão dos ensinamentos da Carta Encíclica Laudato Si’ é fundamental para uma mudança da cultura exploratória, consumista, que afeta a nossa casa comum e principalmente os mais pobres. Nesse sentido, Juventude Franciscana do Brasil (Jufra), em parceira com Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe), Movimento Católico Global pelo Clima, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cáritas Brasileira, Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) e Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade (Afes) está realizando uma exposição itinerante que aborda alguns pontos fundamentais da Encíclica e fornece algumas ideias de como colocá-la em prática a nível pessoal, familiar, social e político, através da campanha #VivaLaudatoSi.

Organize sua fraternidade local, paróquia, comunidade, para receber esta Exposição que irá percorrer todo o Brasil. Acessar o site para inscrição e maiores informações. www.exposicaolaudatosi.org

Fonte: Subsídio 7ª JFNDH
Defender a Mãe Terra Defender a Mãe Terra Reviewed by Juventude Franciscana Florianópolis on 26.11.16 Rating: 5

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Jéssica Pires