Irmãs Cotovias: Contempladas por Francisco


O Bem-aventurado Francisco dizia da cotovia: Nossa irmã cotovia usa capuz como os religiosos. É pássaro humilde que anda sempre pelos caminhos, à procura de grãos. Ainda que os descubra no meio do esterco dos animais, tira-os dali e come. Enquanto voa, louva o Senhor como um bom religioso, que despreza as coisas terrenas e cuja vida se fixa no céu. Além disso, a roupa que veste, isto é, sua plumagem, é cor de terra. Assim ela dá bom exemplo aos religioso., que devem usar vestidos finos e de cores vivas, mas de tom discreto como o da terra. Por tudo isso, o bem-aventurado Francisco amava muito as nossas irmãs cotovias e gostava de contemplá-las. 

 Ao viajar para Bevagna com outros frades, São Francisco entrou em um campo para rezar para as aves. Diz a lenda que as aves se reuniram em torno do Santo para ouvir as suas palavras.

Meus irmãos, vocês devem um monte de gratidão a Deus, o Criador, porque ele lhes deu o grande dom de voar. Vocês não semeiam, nem ceifam, mas Deus vos alimenta e lhes dá rios e fontes para beber. Vocês não sabem fiar e tecer, no entanto, Deus veste a vocês e a seus filhos com o mais suave e gracioso dos vestidos feitos de penas e plumas.

Diz-se também que Francisco, antes de morrer, começou a cantar uma última vez o Cântico das Criaturas e, de repente, as cotovias - que costumam cantar de manhã enquanto naquele momento era noite, o acompanhavam com seu som, fazendo-o companhia até a sua hora final...




‘Cotovia’ é uma designação genérica dada a diversas espécies destas aves que, para efeitos de classificação, foram agrupadas na família ‘Alaudidae’ e da mesma ordem dos Passarinhos (Passariformes).

A cotovia é uma ave pequena, com um comprimento médio entre os 15 cm e os 18 cm, de cor bastante uniforme, sobretudo o castanho, com estrias escuras no dorso e ventre um pouco mais claro. A cabeça exibe um pequeno tufo, a cauda é alongada e em cujas bordas sobressaem duas linhas brancas. Nas patas possuem uma unha mais comprida e recta no dedo posterior.

Encontra-se na Europa, Ásia e Norte de África, sendo que as que vivem em regiões mais setentrionais ou mais a oriente têm movimentos migratórios em direção ao sul, no inverno. São aves essencialmente do Velho Mundo, com exceção de uma única espécie, a Eremophila alpestris que também habita a América do Norte. 

Os sexos são, de um modo geral, semelhantes. Habitam preferencialmente terreno aberto, em terras lavradas e baldios, alimentando-se de sementes e insetos e nidificando no solo, onde põem de 3 a 5 ovos, incubados pela fêmea durante 12 a 13 dias.



As cotovias têm um voo ondulante, com descidas bruscas seguidas de ascensões lentas. São conhecidas pelo seu canto característico, em regra durante voos prolongados, a grande altura. É um canto muito belo, que se assemelha ao do rouxinol, durando com frequência vários minutos. Os machos costumam cantar descrevendo círculos, elevando-se quase a perder de vista, reduzidos a pequenos pontos no céu. No chão são, porém, difíceis de distinguir, devido ao dorso acastanhado que se confunde com o meio envolvente.


A cotovia sempre foi considerada, desde tempos recuados, uma ave especial, particularmente ‘simpática’, entrando na mitologia, na literatura, no folclore, etc., tanto pela beleza do seu canto como pelo simbolismo do seu voo.

Para os gauleses era uma ave sagrada, continuando através das lendas populares francesas a ser vista como ‘de bom augúrio’. As suas passagens sucessivas da terra ao céu e vice-versa unem os dois pólos da existência e representam a união entre o terrestre e o celeste.

O seu canto é de alegria e, para os teólogos místicos por exemplo, simboliza a oração jubilosa perante Deus. Na Natureza, as cotovias eram as amigas prediletas de São Francisco de Assis, às quais chamava de ‘irmãs cotovias’.

Respeitemos, pois, este pequeno pássaro, para que o seu canto se perpetue e possa ser usufruído pelas gerações vindouras.

 "Deixo de ser coruja, pra ser sua cotovia... e só viver de dia..." Raul Seixas
Irmãs Cotovias: Contempladas por Francisco Irmãs Cotovias: Contempladas por Francisco Reviewed by Juventude Franciscana Florianópolis on 2.9.16 Rating: 5

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Jéssica Pires